Cotidiano

    Terça-feira, Outubro 27, 2009

    Última fraqueza de um triste poeta que ama

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    Uma pausa.
    -
    e a saudade não há mais.
    _

        Foi assim. Durante um bom tempo, entre idas e vindas, quando no víamos, eram músicas, conversas e risadas. Apenas lembrando do bom, e esquecendo que você se foi. "Te ligo amanhã", disse. Mas o amanhã era tarde. Mal imaginava, eu, que a ira viria e que minha revolta seria simplesmente esperar. Te esperei. Por muito tempo, esperei. Amei, amo e amarei. Mas o amanhã era tarde. Tudo corrido, tudo pra cima, tudo na hora, eu quero, é meu, intenso. Não rola. Tentei te abdusir e mostrar que além do teu mundo, era o meu. Que em algum momento, juntos poderíamos ser mais. Queria pra sempre. Um filho, dois filhos, três filhos. Uma menina. Yara, Rodrigo e André. Simples, não? Quem dera. Quem dera pudesse ter, e viver, oque deveras quero. Querer é poder - Xuxa - mas não poder é querer. Decidir se enrolo ou sou enrolado. Não gosto de enrolar, sou enrolado. Fui iludido pelo meu próprio ego. Querendo amar e acreditando que tudo é perfeito. Não vi, nem ouvi, sinais que me dessem motivos pra continuar. Só senti, e amei querendo amar. Mas na ilusão de tudo que há, deixei de sofrer, de sentir e me amargar. Um sorriso, uma nota, uma palavra, era o suficiente até a parar. Na pausa. No momento vazio entre um assunto e outro. Era onde o subjetivo dominava e as possibilidades existiam. Mas na última pausa, ficamos inertes. Não haviam perguntas, não haviam pensamentos, não havia contexto ou pretexto para um sentimento. Ele existe, mas já não é mais visível. Dói saber que meu amor é em vão. Gasto apenas em alguma ilusão que criamos. Se me ligar, vou jogar seu jogo. Fingir que está tudo bem e marcar encontro. Não falarei de sentimentos se assim quiser, e imagino que queira. Não forçarei seus beijos se eu os quiser, tenha certo que quero. Mas a cada presença e ausência tua, eu me despeço. Esperança pouca que resta, eu me rendo. Vou perecendo e vivendo, sendo, e sofrendo, seu escravo particular. Submisso enquanto solteiro. Não sou homem de muitas. Das poucas que tive, você me ganhou. Usou e usa. Apesar desse jogo sujo, ou oculto, em que fico perdido, continuo aqui. À espera. Mas tome cuidado, menina, para me ter - Zé Bonitinho - aproveite enquanto há tempo. Pois tão inesperadamente quando você apareceu pra mim, outra pode aparecer. Você pode ser a mulher da minha vida. Não tenho certeza, talvez nunca tenha. Mas sou rapaz de uma mulher só. Se este alguém aparecer, espero não cometer os mesmos erros, e quando cometer os novos, espero que ela aguente, como eu aguento, e queira aprender, crescer e viver comigo. Com muita confiança, amor e reciprocidade.
        Considere um ultimato ou simplesmente um alerta. Sou um ser-objeto muito utilizável, mas o romantismo que, por enquanto, não cabe mais entre nós, é fatídico e hora ou outra retorna. Aproveite o tempo de descanso pra pensar sobre nós. Se é que te cabe alguma verdade ou vontade neste assunto. Do amor que eu sempre recitei, ainda insito que é fato. Do amor que eu cobrei, tenho dúvidas se alguma vez o que disse era passível de realidade.

        Eu nunca quis casar com ninguém. Abominava casamentos. Igreja nem pensar. Até conhecer você.

        Cansei de me declarar, acredito ser meu último suspiro.

        Casa comigo ou me jogue ao mar.

    .

    Domingo, Outubro 04, 2009

    aquém

    Acho que minha teoria é a seguinte:
     
    Por mais que conversemos sobre a atualidade, minha procura por você, e outras pessoas de quem tanto gosto, daqueles tempos,  é uma busca por uma volta no tempo pra sentir as mesmas sensações que tínhamos naquela época. É algo enclausurado na 4ª dimensão que podemos tentar reviver em algumas poucas horas de conversas, sorrisos, demonstrações de afeto e tudo mais. Mas acho que isso vai se perdendo conforme nós mudamos e moldamos a nós mesmos. É fato que hoje sou outra pessoa, assim como você. Antigamente eu iria sem pestanejar só pra receber um abraço nas pontas dos pés e você viria pra qualquer lugar, o mais longíncuo possível, só pra fugir da rotina. Mas não somos mais os mesmos, coração. Eu já não quero mais me desgastar em busca de sentimentos perdidos ou perecer em busca sem sentido. Te encontrar é só escape. Não que eu menos preze ou não queira te ver, mesmo porque meu sentimento por ti continua intacto, inócuo e intangível. Mas a fogueira do palco já foi pros bastidores.
     
    Meu amor, por mais triste que isto possa parecer, eu ainda vejo beleza na vida, ainda acredito na humanidade e continuo a escrever. Se te preocupa, digo que estou bem, pois realmente estou. Porém minha vontade de cultivar o passado já não é a mesma. Da minha essência sobrou a contradição. O poeta não morreu, foi ao inferno e voltará. Já não vejo mais as coisas da mesma forma, mas quiçá eu volte a ter, um dia, uma visão mais próxima da antiga. Neste meio-tempo, nos resta esperar.
     
    Com dor de amor,
    Teu eterno amante, [   ].

    Sexta-feira, Agosto 28, 2009

    palavra [eros trovador]

    Eu não faço o tipo que posta algo que não é meu, está é a segunda vez que faço isso em dois anos de blog.

    Segue:
    "
    palavra
    eros trovador

    Se você não gosta de discursos, não leia este texto.

    Mas, se você está disposto a abrir mão de pelo menos uma convicção sua, leia este discurso poético. 

    O poeta é um trovador que acredita na força da palavra e confia no encanto da poesiaQuando resolve se pronunciar, o poeta pesca uma palavra no oceano daquelas que você ouve todo dia e a esta lhe faz escutar. Uma palavra-sentido. O verbo que se faz palavra e vem habitar entre nós. 

    Do meio do burburinhoo poeta recupera o sutil prazer do cotidiano. E o prazer determina a escolha do hiperlink, a construção do hipertexto de cada um. Assim, o texto passou a ser uma virtualidade, talvez mais real do que a biblioteca que habita sua estante: o poeta só existe quando alguém decide ler, a poesia só existe quando você, no nó da rede que lhe cabe, decide consumi-la, devorá-la, juntá-la aos outros tantos textos que ocupam sua vida. 

    Nessa multiplicidade de textos, esconde-se uma multidão de vozes, de palavras, de sintaxes, de possíveis entendimentos. Em ciberespaço de cegos, quem tem um link é rei. A poesia é o lugar-comum de uma nova nobreza, que, em seu vazio sentido de compreensão, une quem escuta e quem diz. A poesia está na leitura que se faz do mundo e de suas páginas.  O poeta deixa de ser somente quem escreve a poesia. Mas, também, quem lê.

    "
    RT: http://www.albumpalavra.com.br/index.php
    (até gírias do tweeter pegam..)

    Quinta-feira, Julho 09, 2009

    do ser.

    Entristece o meu, cada vez mais, este mundo sujo, maldito, e desesperado de amor.
    De um mendingo à um diretor, os homens e seus pecados, cristãos, pagãos, todos atolados. Cheios de si e não de todos. Cheios de tudo e com tão pouco.

    Entristece o meu, cada vez mais, este ouvido porco, entretido, e sufocado de dor.
    De um radinho à um computador, a mídia e seus recados, vendeu, comprou, todos alterados. Falam de si e não de todos. Falam de tudo e de tão pouco.

    Entristece o meu, cada vez mais, este homem rouco, prometido, embreagado de furor.
    De deputado à senador, o governo e seus mandatos, mentiu, roubou, todos envergonhados. Representam à si e não à todos. Representam à tudo e à tão poucos.

    Emoção, razão. Poder ou não, juntar cérebro e coração. Ser, talvez, um pouco mais de tudo e acrescer, à vez, um pouco mais de rumo.

    Consistir em sentimentos as razões da estabilidade, aprender e crescer: Consistência do ser.



    Quinta-feira, Julho 02, 2009

    Cordel de Botas Batidas.

    Que poeira boba, que assopra o vento,
    pro lado de dentro desse cordel
    de vazio amargo, de amor depenado,
    perdurado e gasto sobre este papel.

    Que brisa cortiça, que embala o tempo,
    vai levando o alento o meu querubim
    de asas abertas, de tristeza certa,
    da maldade quieta que restou pra mim.

    Que fumaça chata, que resvala o fogo,
    em um fino assopro de indignação
    da chinela gasta, do pastel sem massa,
    moldurando versos feito um artesão.

    Que palavras vagas, que componho eu mesmo,
    tão sem sentimento e pobre de tesão
    sem complicamento, sem 'rependimento,
    é o meu momento pra dizer "em vão".


    Sexta-feira, Junho 05, 2009

    ?


    O mundo é tão grande quanto um caroço de azeitona. A gente encontra por aí, pessoas que são meros reflexos de nós mesmos. Um ano a mais, alguns a menos. Você se vê mais velho e dando conselhos que já ouviu de seus pais. Se torna redundante, porém incrivelmente correto. É tão estranho que as experiências pelas quais passamos possam realmente nos fazer acreditar em tudo que outrora ouvimos? Ai, ai.

    Eu começo uma conversa, com uma pessoa mais nova que eu. A cada frase que profiro, me interrompo rapidamente e me pergunto se estou certo, então continuo. Paro pra pensar e tudo o que digo é simplesmente tudo o que me disseram. Mas não eram minhas estas emoções, estes sentimentos e este aprendizado. Agora que são, posso repassá-los. Porém, servirão apenas para serem ignorados até que esta pessoa tenha vivido as mesmas emoções, sentimentos e aprendizados que eu.

    O tempo é uma espiral. Tudo se repete de tempos em tempos. Não nas mesmas formas e padrões, mas se repete. A vida é tão cheia-e-vazia quanto foi há uma década-século-milênio atrás. O espaço é tudo-e-nada, pois quando nos tocamos, não nos tocamos, nossos átomos se repelem e o calor que sentimos é troca de energia, sem contato. É tudo tão presente-e-ausente, novo-e-velho, bom-e-ruim, que já não faz mais diferença.

    Existir, é o que resta.

    "A vida é um sopro" - Niemeyer

    Quinta-feira, Junho 04, 2009

    partículas indivisíveis sem nada dentro que são conectadas com todo o resto

    É interessante pensar que tudo está conectado.

    Um cão passeia por um lado da rua e do outro um gato.
    Os dois caminham no mesmo sentido sem perceber a presença do outro.
    Ao final da rua, os dois a atravessam e enquanto vão olhando para o lado procurando por carros, não percebem que um está à frente do outro.
    Com um susto, os dois se trombam e se olham com o receio de um espanto.
    Circulam um em volta do outro, se encarando e se conhecendo.
    Param e se aproximam de frente.
    Olhos nos olhos, fucinhos se tocam.
    Os dois se sentam sem se distanciar, parecem hipnotizados pela estabilidade mútua.
    Sentados, no meio da rua, fucinhos tocados.
    Em sua magnificência, são atropelados.

    Mas depois se via no asfalto, em sangue, a imagem nítida de duas faces, agora humanas, com os narizes se tocando.

    "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Lavoisier


    Quarta-feira, Maio 06, 2009

    A História da Cadeira

    "Foi num dia chuvoso que meu pai me terminou. A água na janela refletia os raios calmos de um sol de domingo à tarde. As poucas almas presentes em meu nascimento eram meu pai, três de minhas irmãs e nosso gato Pompeu. Enquanto o céu chorava a emoção de minha chegada, meu pai chorava a tristeza de minha não partida. A velha mulher que me encomendou havia comprado em outro lugar alguém semelhante a mim. Eu já nasci rejeitada e dês de então fiquei no meu canto, quietinha, sem falar com ninguém, e anos ali, no meu canto, fiquei. Nesses dezessete anos de canto, vi muitas irmãs sendo vendidas, vi Pompeu crescer e vi papai envelhecer. Nesses dezessete anos de reflexão pensei em fugir e tentar, conseguir, uma grande Chair me tornar, e um dia sorrir. Até que num dia tranqüilo, o sol batia sólido na parede solitária, perto do meu canto escuro, e de repente um vulto se moveu rapidamente pra cima de mim, era o Pompeu tentando me assustar pra ganhar algum carinho. Observando ele tive uma idéia. Por que não tentar surpreender as pessoas, pra assim conseguir alguma atenção e deixá-las boquiabertas!? Não dando um pulo em cima de outra cadeira, lógico... mas de alguma maneira que eu conseguisse dizer quão bela é a vida que elas tem... Me perguntava se as pessoas estavam prontas para saber que cadeiras tem sentimentos. Eu precisava me expressar de alguma maneira, isso seria incrível, talvez até outros "objetos" tivessem coragem de se expressar também. Talvez desse certo e deu! Hoje sou uma cadeira conhecida no Orkut, outros objetos com sentimentos aderiram à causa e tive a brilhante idéia de me expressar através de um Blog. E qual nome é mais conveniente que Sentimentalismo Barato pra um blog de uma triste cadeira que nunca foi vendida!?"



    Em homenagem à Cecília Floresta

    http://desconversasafins.blogspot.com (antigo cadeiristica.blogspot.com - Sentimentalismo Barato)

    Terça-feira, Abril 14, 2009

    in,feliz,cidade


        Ai que saudade da inocência, dos sorrisos fáceis e da doce brisa de uma tarde com os amigos. Saudade do meu bairro querido, minha infância perdida, meus anos de soberania sobre os adultos mortais. Sinto falta das horas jogadas fora, que em conversas, devaneios adolescentes, ressaltavam nossa importância na terra.
        Dói no peito as lembranças abertas, de passeios gostosos, de mundos distantes, onde nós tinhamos nossas vidas todas interligadas. Eu, meus amigos e todos os outros de nossa idade. Eramos uma sociedade adolecente. Tinhamos nossas próprias regras, nossas próprias responsabilidades e nossa própria escala de poder. Era tudo tão simples, tudo era simplesmente bom.

    Por que crescemos?

    Sábado, Abril 04, 2009

    unique

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    Fazer do óscio
    um conceito lógico
    das ligeiras pressas
    ver brotar conversas
    aos cavalos brancos
    ecoar os prantos
    pra verdade óbvia
    omitir a aurora
    com os pais olhando
    seguir coservando
    e pra ser eu mesmo
    preservar o tempo
    cativar o pique
    me tornar unique

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