Cotidiano

    Quinta-feira, Julho 09, 2009

    do ser.

    Entristece o meu, cada vez mais, este mundo sujo, maldito, e desesperado de amor.
    De um mendingo à um diretor, os homens e seus pecados, cristãos, pagãos, todos atolados. Cheios de si e não de todos. Cheios de tudo e com tão pouco.

    Entristece o meu, cada vez mais, este ouvido porco, entretido, e sufocado de dor.
    De um radinho à um computador, a mídia e seus recados, vendeu, comprou, todos alterados. Falam de si e não de todos. Falam de tudo e de tão pouco.

    Entristece o meu, cada vez mais, este homem rouco, prometido, embreagado de furor.
    De deputado à senador, o governo e seus mandatos, mentiu, roubou, todos envergonhados. Representam à si e não à todos. Representam à tudo e à tão poucos.

    Emoção, razão. Poder ou não, juntar cérebro e coração. Ser, talvez, um pouco mais de tudo e acrescer, à vez, um pouco mais de rumo.

    Consistir em sentimentos as razões da estabilidade, aprender e crescer: Consistência do ser.



    Quinta-feira, Julho 02, 2009

    Cordel de Botas Batidas.

    Que poeira boba, que assopra o vento,
    pro lado de dentro desse cordel
    de vazio amargo, de amor depenado,
    perdurado e gasto sobre este papel.

    Que brisa cortiça, que embala o tempo,
    vai levando o alento o meu querubim
    de asas abertas, de tristeza certa,
    da maldade quieta que restou pra mim.

    Que fumaça chata, que resvala o fogo,
    em um fino assopro de indignação
    da chinela gasta, do pastel sem massa,
    moldurando versos feito um artesão.

    Que palavras vagas, que componho eu mesmo,
    tão sem sentimento e pobre de tesão
    sem complicamento, sem 'rependimento,
    é o meu momento pra dizer "em vão".


    Sexta-feira, Junho 05, 2009

    ?


    O mundo é tão grande quanto um caroço de azeitona. A gente encontra por aí, pessoas que são meros reflexos de nós mesmos. Um ano a mais, alguns a menos. Você se vê mais velho e dando conselhos que já ouviu de seus pais. Se torna redundante, porém incrivelmente correto. É tão estranho que as experiências pelas quais passamos possam realmente nos fazer acreditar em tudo que outrora ouvimos? Ai, ai.

    Eu começo uma conversa, com uma pessoa mais nova que eu. A cada frase que profiro, me interrompo rapidamente e me pergunto se estou certo, então continuo. Paro pra pensar e tudo o que digo é simplesmente tudo o que me disseram. Mas não eram minhas estas emoções, estes sentimentos e este aprendizado. Agora que são, posso repassá-los. Porém, servirão apenas para serem ignorados até que esta pessoa tenha vivido as mesmas emoções, sentimentos e aprendizados que eu.

    O tempo é uma espiral. Tudo se repete de tempos em tempos. Não nas mesmas formas e padrões, mas se repete. A vida é tão cheia-e-vazia quanto foi há uma década-século-milênio atrás. O espaço é tudo-e-nada, pois quando nos tocamos, não nos tocamos, nossos átomos se repelem e o calor que sentimos é troca de energia, sem contato. É tudo tão presente-e-ausente, novo-e-velho, bom-e-ruim, que já não faz mais diferença.

    Existir, é o que resta.

    "A vida é um sopro" - Niemeyer

    Quinta-feira, Junho 04, 2009

    partículas indivisíveis sem nada dentro que são conectadas com todo o resto

    É interessante pensar que tudo está conectado.

    Um cão passeia por um lado da rua e do outro um gato.
    Os dois caminham no mesmo sentido sem perceber a presença do outro.
    Ao final da rua, os dois a atravessam e enquanto vão olhando para o lado procurando por carros, não percebem que um está à frente do outro.
    Com um susto, os dois se trombam e se olham com o receio de um espanto.
    Circulam um em volta do outro, se encarando e se conhecendo.
    Param e se aproximam de frente.
    Olhos nos olhos, fucinhos se tocam.
    Os dois se sentam sem se distanciar, parecem hipnotizados pela estabilidade mútua.
    Sentados, no meio da rua, fucinhos tocados.
    Em sua magnificência, são atropelados.

    Mas depois se via no asfalto, em sangue, a imagem nítida de duas faces, agora humanas, com os narizes se tocando.

    "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Lavoisier


    Quarta-feira, Maio 06, 2009

    A História da Cadeira

    "Foi num dia chuvoso que meu pai me terminou. A água na janela refletia os raios calmos de um sol de domingo à tarde. As poucas almas presentes em meu nascimento eram meu pai, três de minhas irmãs e nosso gato Pompeu. Enquanto o céu chorava a emoção de minha chegada, meu pai chorava a tristeza de minha não partida. A velha mulher que me encomendou havia comprado em outro lugar alguém semelhante a mim. Eu já nasci rejeitada e dês de então fiquei no meu canto, quietinha, sem falar com ninguém, e anos ali, no meu canto, fiquei. Nesses dezessete anos de canto, vi muitas irmãs sendo vendidas, vi Pompeu crescer e vi papai envelhecer. Nesses dezessete anos de reflexão pensei em fugir e tentar, conseguir, uma grande Chair me tornar, e um dia sorrir. Até que num dia tranqüilo, o sol batia sólido na parede solitária, perto do meu canto escuro, e de repente um vulto se moveu rapidamente pra cima de mim, era o Pompeu tentando me assustar pra ganhar algum carinho. Observando ele tive uma idéia. Por que não tentar surpreender as pessoas, pra assim conseguir alguma atenção e deixá-las boquiabertas!? Não dando um pulo em cima de outra cadeira, lógico... mas de alguma maneira que eu conseguisse dizer quão bela é a vida que elas tem... Me perguntava se as pessoas estavam prontas para saber que cadeiras tem sentimentos. Eu precisava me expressar de alguma maneira, isso seria incrível, talvez até outros "objetos" tivessem coragem de se expressar também. Talvez desse certo e deu! Hoje sou uma cadeira conhecida no Orkut, outros objetos com sentimentos aderiram à causa e tive a brilhante idéia de me expressar através de um Blog. E qual nome é mais conveniente que Sentimentalismo Barato pra um blog de uma triste cadeira que nunca foi vendida!?"



    Em homenagem à Cecília Floresta

    http://desconversasafins.blogspot.com (antigo cadeiristica.blogspot.com - Sentimentalismo Barato)

    Terça-feira, Abril 14, 2009

    in,feliz,cidade


        Ai que saudade da inocência, dos sorrisos fáceis e da doce brisa de uma tarde com os amigos. Saudade do meu bairro querido, minha infância perdida, meus anos de soberania sobre os adultos mortais. Sinto falta das horas jogadas fora, que em conversas, devaneios adolescentes, ressaltavam nossa importância na terra.
        Dói no peito as lembranças abertas, de passeios gostosos, de mundos distantes, onde nós tinhamos nossas vidas todas interligadas. Eu, meus amigos e todos os outros de nossa idade. Eramos uma sociedade adolecente. Tinhamos nossas próprias regras, nossas próprias responsabilidades e nossa própria escala de poder. Era tudo tão simples, tudo era simplesmente bom.

    Por que crescemos?

    Sábado, Abril 04, 2009

    unique

    .

    Fazer do óscio
    um conceito lógico
    das ligeiras pressas
    ver brotar conversas
    aos cavalos brancos
    ecoar os prantos
    pra verdade óbvia
    omitir a aurora
    com os pais olhando
    seguir coservando
    e pra ser eu mesmo
    preservar o tempo
    cativar o pique
    me tornar unique

    .

    Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

    raroramoraroramoraroramoraro

    .

    Porque na ausência da tua alegria,
    e de outras que também viriam,
    eu chorei uma carta pra ti.

    Porque às vezes, sua presença,
    mais vital que sua beleza,
    vai quebrando o que eu prometi.

    Porque com tudo que ja se fez,
    eu, você, nossa insensatez,
    hora vamos ter que partir.

    Pois do pouco que tenho do mundo,
    este amor, esse imenso absurdo,
    sem você 'inda da pra sorrir.

    .

    Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

    whatever

    LG,

    Você acha que as coisas mais complicadas do mundo são relacionadas à você. Você acredita que o amor é algo puro e livre, algo que vai ficar lá, guardado em algum canto, enquanto levamos nossas vidas separadamente. Na sua mente insana, as pessoas merecem crédito antes de desconfiança, mas o McDonalds domina o mundo e a fome na Africa é culpa dele. O seu corpo todo é um esboço da sua alma. Careca, magro, marcado de tanto sofrer. O seu coração é tão burro que se entrega eternamente à qualquer um que cruza seu caminho. Você é uma pessoa egocêntrica que quer ser reconhecida por toda essa merda que faz. Quando é que vai perceber que você só se fode e não ajuda ninguém? O senhor é um fodido, tudo é culpa sua e não vos resta solução melhor que a morte. Abandone esta vida, transcenda, é a melhor coisa que faz.

    Atenciosamente,
    seu melhor amigo.

    Domingo, Fevereiro 08, 2009

    Na Balança

    Se você fosse o Sol, ela seria um grão de areia na terra, aqueles que ficam bem enterrados, pois não são dígnos de serem contemplados por sua resplandecência.

    Amo