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O nome é Cintia. Não sei se cabe um "h" ou um acento em algum lugar. Não foi o nome que me chamou a atenção. O primeiro semblante de beleza foi um passo. Um simples passo, de um lugar pouco atrás de mim na fila. No mesmo momento eu me virava e enquanto ela subia um pequeno degrau com este passo, ela já olhava para mim como quem cumprimenta um velho amigo. Eu, tímido, balancei a cabeça em cortesia e me virei tentando entender a simples cena que me tocou. Acho que foi o sol, que a tornou um ser iluminado, ao invés de uma simples garota. Tentando puxar conversa, me voltei e conversei com o rapaz-ponte, que estava entre eu e ela na fila. Fiz uma pergunta qualquer para ele e olhei para ela esperando resposta. Ela não parecia muito aberta à conversas, mas não foi rude. Eu ficaria vermelho, não fosse a melanina.
Entre outras tentativas frustradas de assunto, ela parecia não se render. Subimos, entramos em uma sala e ela, à frente, se sentou na segunda fileira. Eu, um pouco encabulado e já desesperançoso, me sentei na terceira. Nosso colega-ponte veio se sentar ao meu lado. Eis que ela se levanta e senta-se ao meu lado, pronunciando "qualquercoisa fundão qualquercoisa". Não prestei muita atenção, porque estava estupefato com o fato dela se levantar, para sentar-se ao nosso lado, ao meu lado.
Trocamos algumas palavras sem importância, enquanto preenchíamos nossas qualquercoisa. Em um momento ela se levantou e disse "tchau". Eu sorri, por fora, e retribuí a gentileza. Ela se foi. Voltou 1min depois. Eu sorri, por dentro e por fora, e disse "à quanto tempo!". Ela sorriu, linda, e sentou-se novamente ao meu lado. Enquanto alguém falava qualquercoisa sobre qualquercoisa eu ia reparando, meio de lado, nas suas mãos, braços, pernas, cabelo, rosto. Fui investigando e apreciando aquela auréola de ninfa. Uma pulseira demonstrava fé, suas mãos nervosismo, seu rosto sobriedade e um anel demonstrava que eu não sei definir o que é uma aliança.
Saímos, o amigo-ponte, desceu comigo pela escada e na porta eu o pedi para esperar por ela. Ele disse qualquercoisa e foi embora. Esperei, só. Acendi um cigarro, mesmo sabendo que poderia denegrir minha imagem para ela. Esperei. Foi o minuto mais longo da minha vida. Ela saiu, foram os 2 segundos mais longos da minha vida. Na minha cabeça a cena congelou e ela dava um passo, agora descendo um pequeno degrau. Seus cabelos estavam sendo levados pelo vento. Seu rosto levemente erguido, com autoridade. Seu braço direito segurava algo e o esquerdo balançava no contra-passo do passo. Me viu, se despediu de longe e foi andando. Fiquei meio perdido e fui atrás dela resmungando "eu estou te esperando e você vai saindo?". Ela sorriu pedindo desculpas e eu a acompanhei até qualquerlugar. Fomos andando e conversando. Ela não parecia muito entretida, mas foi se soltando e falando de si. Se tornou mais bela quando disse que ministra dança para crianças. No papo, fomos nos conhecendo pouco e eu a admirando mais. Chegamos em uma encruzilhada, ela iria para um lado e eu para o outro. Ela parecia tão entretida que se esqueceu que eu ficaria ali. Eu poderia continuar andando com ela e acompanhá-la, acho que ela até gostaria. Mas, não pergunte por que, eu disse que ficaria ali. Dei um beijo no rosto e disse que foi um prazer conhecê-la. Ela disse "quem sabe a gente não se encontra por lá!". Concordei e fui saindo. Quando, para mim, já estava terminado, ouço de longe "Obrigado!". E sua voz ecoou nos prédios, arvores, ruas e carros. Nos meus ouvidos, com o eco e o timbre, o recado foi dado a meu coração. Olhei para trás e lá estava ela, linda, com seu sorriso inebriante e sua segurança de moça crescida. Tocou, naquele momento, meu medo da chuva, meu medo do escuro, meu medo de amar, então simples como sua beleza e seu anel dourado, amei. Sem sombra de dúvida, sem medo de errar.
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